Um memorial para a Vida

Memorial – Zicaron  – Oferecer como uma porção comemorativa – Recordar, memória

Êxodo 12:14

“Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor”

raiz da palavra memorial significa: Ferroar, espinhar, fazendo-nos lembrar o que foi dito. Aquilo que espinhar, penetra ou estimula a mente e serve-nos de lembrete.

Exemplo: A Páscoa faz-nos lembrar como o Senhor poupou o seu povo, tirando-os das mãos de Faraó. 

“Obedeçam a estas instruções como decreto perpétuo para vocês e para os seus descendentes. Quando entrarem na terra que o Senhor prometeu lhes dar, celebrem essa cerimônia. Quando os seus filhos lhes perguntarem: O que significa esta cerimônia? Respondam-lhes: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios. Então o povo curvou-se em adoração.” (Êxodo 12:24-27) 

No Novo Testamento a palavra Memorial aparece por três vezes. 

1º. A Mulher que ungiu a Yeshua com ungüento caro. 

“… o que ela fez será contato, em sua memória”. (Mateus 26:13)

2º. Oração do justo Cornélio servirá de perene Memorial em favor dele.

“Suas orações e esmolas subiram como oferta memorial diante de Deus”. (Atos 10:4) 

3º. Todas as vezes que celebramos a ceia temos o propósito de relembrar, trazer a memória à pessoa de Jesus.

“Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”. (Lucas 22:19)  

“e, tendo dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim. Da mesma forma, depois da ceia ele tomou o cálice e disse: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isso sempre que o beberem em memória de mim”. (I Coríntios 11:24-25)

Da Páscoa Judaica a Ceia do Senhor

Aspectos da Páscoa Judaica

Estes elementos que faziam parte da Páscoa judaica, cada um tinha um significado especial.

O Cordeiro Pascal: Lembrava a proteção, o livramento dos primogênitos da casa dos filhos de Israel, quando cada família israelita aspergiu o sangue do cordeiro nas ombreiras e na verga da porta. Era uma lembrança e uma comemoração deste maravilhoso livramento (Êxodo 12).

Os Pães Asmos: Lembravam a saída urgente de Israel da terra do Egito. Também chamado de «pão de aflição», que representava os sofrimentos dos filhos de Israel (Êxodo 12.15,34,39, Deuteronômio 16.3).  

Água Salgada: Lembrava as lágrimas salgadas derramadas pelos israelitas durante os seus anos de escravidão no Egito.

Ervas Amargas (hebraico marór): Lembravam as amarguras da escravidão no Egito (Números 9.11).

A Sopa de Frutas (hebraico charoshet): Lembrava a massa de tijolos que os filhos de Israel tinham de preparar na terra do Egito (Êxodo 5.6-19).

Quatro Cálices (copos) de Vinho: Lembravam as «quatro promessas» de Êxodo 6.6,7.

Segundo a tradição judaica, tomam-se «quatro cálices» de vinho porque a Bíblia usa quatro verbos diferentes para descrever o drama da redenção do cativeiro do Egito.

   1. E vos «tirarei» de debaixo da carga dos egípcios.

   2. E vos «livrarei» da sua servidão.

   3. E vos «resgatarei» com braços estendidos e grandes juízos.

   4. E vos «tomarei» por meu povo.

A Festa judaica contemporânea chamada Seder, já não é celebrada com o cordeiro assado. Entretanto, as famílias ainda se reúnem para a solenidade e, o pai da família narra toda a história do Êxodo, conforme a prescrição de Yahweh (Êxodo 12.14,26,27).

Da Páscoa Judaica para Ceia Cristã

Este era o momento que Jesus tanto esperava «E disse-lhes: tenho desejado ansiosamente comer convosco está Páscoa, antes do meu sofrimento» (Lucas 22.15).

Foi na noite que precedeu a Sua morte, que Jesus e os Seus discípulos comeram a Última Páscoa, substituiu pela Sua Ceia (Mateus 26.17-29; Marcos 14.12-26; Lucas 22.7-20; João 13 e 14). 

Portanto, houve duas ceias; a Ceia da Páscoa e a Ceia do Senhor Jesus. Esta foi instituída no final daquela. Lucas menciona dois cálices: 

“Recebendo um cálice, ele deu graças e disse: Tomem isto e partilhem uns com os outros. Pois eu lhes digo que não beberei outra vez do fruto da videira até que venha o Reino de Deus”.

“Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim. Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês”. (Lucas 22.17-20).

Jesus tomou os elementos da Páscoa e deu uma nova significação

A Ceia do Senhor Jesus inicia uma nova era e aponta para uma obra já consumada. Podemos observar que, «duas festas uniram-se nesta celebração.

Ceia do Senhor, o Memorial Cristão

Jesus oferecendo seu corpo e sangue assume o duplo sentido da páscoa judaica: sentido de libertação e de aliança.E ao celebrar a Páscoa (Mateus 26.1-2;17-20), Ele institui a NOVA PÁSCOA, a Páscoa da libertação total do mal, do pecado e da morte numa aliança de amor de Deus com a humanidade.

Pão: Simboliza as necessidades básicas da vida. Por essa razão, referimo-nos comumente ao pão como “o sustento da vida” e oramos pelo nosso “pão diário” na oração do Senhor, através do que oramos por todas as nossas necessidades terrenas. Assim como não podemos viver sem o “pão diário,” não podemos viver sem Cristo, o pão da vida.

Jesus é o nosso eterno pão da vida, como se transcreve: 

“Declarou-lhes Jesus: Digo-lhes a verdade: Não foi Moisés quem lhes deu pão do céu, mas é meu Pai quem lhes dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desceu do céu e dá vida ao mundo.” (João 6:32-33).

Vinho: O vinho na Escritura simboliza abundância, gordura, prosperidade, alegria, satisfação e banquete (Deuteronômio 28:51; Salmos 104:15; Isaias 55:1; Joel 3:18). Ele representa aquilo que está acima e além das necessidades da vida, que torna a vida mais que mera existência, que dá satisfação e regozijo.

O vinho da ceia do Senhor, portanto, simboliza o fato que Cristo não é apenas a necessidade básica da nossa vida espiritual, mas a gordura, prosperidade e alegria dela também. Ou, para colocar de uma forma diferente, o vinho nos lembra que Deus em Cristo nos dá o que precisamos, mas além disso, sempre nos dá infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos” (Efésios 3:20). Esses dois elementos da ceia do Senhor, tomados juntos, nos lembram uma vez mais que Cristo é tudo. 

Proposta de vida

A ceia não é só um ato de piedade ou devoção. É vida.

“Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”(João 6:54). 

No símbolo do pão e do vinho realizamos a união a Cristo em Sua vida, morte e ressurreição. Temos Sua vida em nós.

“Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa” (João 6.57).

Gloria Dei, Vivens Homo (A glória de Deus é o homem Vivo)

Santo Irineu Século II

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