Uma reflexão libertadora sobre a dualidade de vida!

Quando adolescente, vivia em um ambiente religioso que me ensinou a respeito da dualidade entre a minha vontade e a vontade e Deus. 

Aprendi que a vontade de Deus era completamente diferente da minha vontade e, portanto, deveria anular a minha vontade para realizar a vontade de Deus. Esta visão criou em mim, uma fuga de querer conhecer a vontade de Deus pois, acreditava que seria contrária à minha vontade.

Esta situação me levou, assim como a muitos, a uma dualidade de vida.

Mas não se pode tratar mais de que a vida religiosa signifique uma espécie de desdobramento, como se fossemos duas pessoas: por um lado teríamos uma vida “profana”, comum com todos os outros; e por outro uma segunda vida, a religiosa, que se superporia à outra.

A vida religiosa consistiria nas crenças, ritos, orações e deveres próprios dela. O Outro ficaria de fora: a esfera na qual vivemos e ganhamos a vida como todos, nos divertimos e trabalhamos.

Claro que naturalmente se estabelecem conexões, mas extrínsecas. Pede-se ajuda para que se saia bem em um assunto, ou dar graças por determinado êxito. 

Criam-se duas esferas de interesses: a de Deus e a do homem.

Como os “nossos” interesses nem sempre coincidem com os Dele, é preciso saber “renunciar” a muitas coisas “em favor” de Deus. Nesse sentido se interpretam frases evangélicas como as de “carregar a cruz”, “negar-se a si mesmo” ou “perder a própria vida”.

Não é de se estranhar que Deus apareça para muitos como inimigo da vida humana, como ameaça para sua autonomia e impedimento de sua realização.

Entretanto, toda vida cristã que avança até o verdadeiro centro de si mesma, caminha para a superação dessa tendência dualista da relação com o Deus vivo, para substitui-la progressivamente por laços muito mais estreitos, como confiança, gratuidade, intimidade e amor. 

Minha intensão neste texto é mostrar como o Deus cristão no mais genuíno de sua presença, postula e promove uma nova compreensão, uma nova vivencia e uma nova práxis. Um Deus entregue por amor, que não tem outros interesses que os nossos; que não sabe comerciar conosco, porque já nos deu tudo; que não nega nosso ser, porque sua presença consiste justamente em afirmá-lo, fundando sua força e promovendo sua liberdade.

Nem seria necessário dizer como esta compreensão foi libertadora para minha vida. Descobrir que o Deus que me formou, plantou dentro de mim dons, talentos, habilidades, que tem tudo a ver com o todo da minha vida. Saber que Ele deseja para as nossas vidas é uma “vida abundante”, que podemos traduzir como uma “vida realizada”. Não, não tem nada a ver com dinheiro, poder, mas sim com realização, com ser o que você é.

Buscar dentro de você quem você é, suas paixões, seus dons, seus talentos, suas habilidades, irão levá-lo para um outro patamar em sua relação com Deus.

Como um dia na experiência de Abraão em Genesis 12, quando Deus disse a ele: 

“Lech-Lechá” (“Vá a ti mesmo” – tradução literal do hebraico). 

A questão não é um lugar físico para onde você deva ir, mas sim encontrar dentro de si mesmo tudo o que precisa.

Sim tudo está ai dentro de você! Descubra! É libertador! 

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